domingo, 18 de dezembro de 2011

O Livro das Sombras


O livro das sombras (book of shadows),grimório ou livro de fórmulas é um livro onde a bruxa anota todos os seus procedimentos para viabilizar cada fórmula, os rituais, feitiços, experiências e informações que julgar importantes. Na antiguidade não era raro uso de linguagens cifradas afim de proteger os conhecimentos e o livro era guardado tal e qual um tesouro,pois qualquer falha na formulação podia trazer efeitos indesejáveis ou mesmo nocivos. Formulações com plantas venenosas e também curativas tinham medidas exatas e requeriam muito cuidado na manipulação dos ingredientes: uma dosagem um pouco maior poderia ser fatal, uma dosagem um pouco menor não produzia efeitos. No tempo da inquisição os grimórios foram queimados pelas própria bruxas e por isso muito pouco deles chegou até os nossos dias. Naquela época qualquer anotação da combinação de ingredientes com fins mágicos ou curativos encontrada com alguém constituía prova suficiente de que a pessoa era uma feiticeira e ela estaria destinada à fogueira. Assim sendo,as bruxas guardavam as fórmulas na memória e, tão logo lessem algum livro que circulava entre as feiticeiras, ou o passavam em frente ou o queimavam.
Hoje não temos mais este temos e, ao contrário de outrora, o livro das sombras geralmente não é compartilhado, mas sim guardado para uso exclusivo de seu dono podendo ser transmitido a filhos ou pessoas de confiança.
Como fazer?
Você pode comprar um pronto. Muitas pessoas usam cadernos comuns de capas neutras. É possível encontrar na internet livros prontos,com capas decoradas e bem trabalhadas e costumam custar entre 80 e 300 reais,dependendo da riqueza de detalhes, material, número de folhas. Seu livro deve trazer nele referencias a você mesmo,sabe aquele dito "o que não se parece com o dono é roubado"? Pois então, deixe ele que se pareça contigo. Quando decidi ter um BOS imediatamente me pus a procurar um artesão que o confeccionasse já que eu jamais havia feito um livro. Encontrei o "Tarô Sacro", vi fotos dos livros que faziam e gostei bastante do trabalho,enviei todas as informações sobre como o queria com imagens inclusive, me disseram que poderiam fazer por 250 reais, valor com frete incluso, eu sou taurina, cautelosa com dinheiro, mas fiz tantas exigências que achei o valor justo. Paga a mercadoria o combinado eram 15 dias até a postagem nos correios, coisa que só aconteceu quase dois meses depois. A esta altura eu já estava frustrada pois me enviaram fotos do livro pronto e não estava nada como solicitei, mandei que cobrissem com tecido brim preto ao menos. Neste meio tempo decidi fazer meu livro. Consegui as folhas de papel A3, a parte rígida da cama e sabia como o faria. Uma semana costurando folhas a mão (tarefa dolorosa já que ao todo foram 500 folhas,1000 páginas), medindo e cortando, bordei a mão na capa uma árvore que representa a minha forte ligação com a Terra que me sustenta,nutre e assegura; e a minha busca pelo crescimento,evolução,pelo Alto. Enquanto fazia me cortei e derramei sangue nele, pronto, estava assinado! É este que sempre uso e guardo com carinho e zelo numa caixa própria (também feita por mim). O outro,encomendado,continua no pacote.Gosto de escrever meu aprendizado, informações valiosas que adquiro por experiencia, rituais, feitiços que já fiz com anotações sobre resultados e ervas ressecadas. 
Circula na internet alguns livros das sombras prontos para download, com páginas decoradas, desenhos e ritos. Sinceramente, acho inúteis, é como basear a sua vida no diário de outra pessoa, no máximo eles podem ser usados como complemento. O valor de um livro das sombras está no conteúdo. É o seu caminho místico escrito ali. 
Acima,o livro feito por encomenda.
Abaixo,o livro feito por mim.

sábado, 8 de outubro de 2011

Minha história com Emma


Normalmente aos fins de semana não há muito que se fazer aqui,aquele era um sábado tão monótono quanto os outros,mas com um diferencial,a luz do dia estava deslumbrante,era inicio de tarde e a luminosidade era similar a do amanhecer. Pedi desculpas aos livros,me arrumei e fui ver o mundo lá fora. Peguei minha bicicleta,o mp3 jurássico,uma maçã e fui pedalar na universidade. Ainda não sei como aquela pobre maçã chegou inteira já que foi pulando e batendo na cesta por todo o trajeto. Gosto de percorrer os lugares que ainda não conheço,embora quase rodas as rotas terminem num lugar comum. Fui lá eu,passei pelas árvores,pelo lago e pelas flores cantando Feist,Zélia Duncan,Mafalda Veiga e Aimee Mann a altos brados,para a infelicidade de quem ouvia. Cheguei a grande área esportiva,com suas quadras,campos e piscinas,separando as quadras de tênis do asfalto há uma fileira de pinheiros num gramado e bancos de troncos,parei por alí,bem no meio das grandes árvores. Sentei-me num dos troncos com minha maçã e senti o vento,esse sofro ficou gravado,pois parecia seda envolvendo meu corpo. Fechei os olhos e apenas fiquei,até me sentir parte daquilo,aquela paisagem bucólica,o sol fraco e gentil,as formigas me fazendo de atalho e as folhas balançando. Tive neste momento uma das mais profundas sensações de paz de minha vida. Os sons eram calmos...o vento,as folhas,as crianças ao longe brincando. Senti-me imensamente grata a Deus tudo. Abri os olhos quase em alfa,respirei mais um pouco a tranquilidade e abocanhei a maçã. Abracei  um dos pinheiros que apesar da casca grossa só me fez carinho e me veio um pensamento: Eu gostaria de ter um cachorro aqui.  Sim,um cachorro,não desejei alguém querido,uma câmera,um lençol pra deitar,nada disso,queria apenas um amigo de quatro patas. Fiquei mais um pouco,despedi-me e fui embora. Bem perto dalí, na estrada com gramado dos dois lados avistei algo correndo em minha direção,não tenho boa visão então realmente não sabia o que era num primeiro momento,parei a bicicleta e esperei,uma cadelinha parda foi chegando e parou há uns dois metros de mim,sentou-se e fez cara de paisagem. Eu andei um pouco mais,ela acompanhou e sentou-se novamente à mesma distancia. Era comigo mesmo. Chamei-a pra perto,ela desconfiada veio devagar até se entregar a um cafuné. Fui pra grama com ela e ficamos alí um pouco. Como louca eu disse a ela que tinha de ir embora,montei na bicicleta e fui,ela me seguiu por uns 200 metros e novamente eu parei,ela também. Me olhou como quem convida pra uma prosa e eu atendi. Outra vez nós duas sentadas na grama,alguns garotos passaram por nós com cães em coleiras,ela rosnou e sem pensar eu disse: Emma!!  Ela parou,me olhou e parece ter gostado de seu novo nome. Emma veio mais pra perto,deitou-se atras de um afago e me fez companhia por cerca de 40 minutos. Éramos só nós olhando o tempo passar.
Virei-me para ela e expliquei que estava escurecendo e eu já ia,sem me importar nem um pouco com os olhares de quem passava. Levantei-me e fui. Desta vez Emma não me seguiu,só me olhou até eu desaparecer na curva.
Só então dei por mim do que houvera,eu pedi um cão e tive um. Talvez Emma também tivesse me desejado. Seguindo sua incrível coerência e sabedoria,o universo nos presenteou uma com a outra.
Nos dias que se seguiram comprei um pacote de biscoitos caninos e passei a andar com alguns na mochila. Em meu próximo encontro com Emma fizemos um piquenique (pelo amor de Deus,não pensem que comi os biscoitos caninos!) numa tarde de muito calor. Gosto de passar por aquele trecho pois quase sempre a encontro,e sempre nos cumprimentamos alegremente.
Pensei muito naquilo que peço a Deus todos os dias e cheguei à conclusão de que peço demais coisas que não preciso ter. Meu dia não precisa ter mais 10 horas,meu aluguel não precisa baixar mais,meu vizinho não tem que fazer silencio só porque eu estou de tpm. O que eu preciso mesmo é reclamar menos,cobrar menos e fazer apenas um pedido: Senhor,ajude-me a aproveitar o bom dia que me dá.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

As doces surpresas da Vida

O que um dia de inverno pode trazer? Um chuveiro queimado,um encontro adiado,novas pessoas....Mas hoje,o dia me trouxe algo bastante agradável,como a abelha que vem de longe para um jardim escondido. Poucos minutos e fui presenteada com a leitura de sonetos belíssimos,e não tive dúvidas,queria coloca-los aqui. Com a devida permissão,apresento-lhes o motivo de meu bom humor.Dois belos sonetos de Vanessa Castro.


O teu sorriso


O teu sorriso é sol desabrochando
Em fios d ouro ao resplendor da aurora
Aparecendo radiante exatamente quando
A universal pureza revigora.

É orvalho de doçura se espalhando
Que se evola e nunca se evapora
Alvinitente rosa que brotando
Junto do amora no paraiso mora.

O teu sorriso é um rio e mil cristais
Uniram-se as aguas q ele tem
E são teus labios fontes eternais.

Quando sorris do etereo os anjos veem
Talvez por desejarem até mais
Do que a fonte amavel deste bem.



Desejos

Essa manha desejo ter-te em meus braços
E te cobrir de afagos e desvelos
Perder os meus dedos entre teus cabelos
Após solta-los da prisão dos laços.

Desejo te abraçar e nos abraços
Os carinhos q fazes merece-los
Verte os olhos castanhos para lê-los
E decifrar de amor os meigos traços.

Desejo ouvir ao nos acharmos sós
No fluir delicado da sua voz
Ciumes tolos e conselhos sabios.

E para arrematar o meu desejo
Levar apos me dares o teu beijo
O que deixaste escrito nos meus labios.




Eu realmente me apaixonei pela suavidade,doçura e harmonia destes trabalhos,e isso me faz pensar nas portas que abrimos sem importância todos os dias. Os "Bom dia's" desenteressados,os "Olás" automáticos e os tantos outros pequenos gestos que,se melhor explorados,poderiam nos revelar uma infinidade de agradáveis surpresas. Esteja aberto ao que o universo pode lhe mostrar a cada dia,e lembre-se de que ele tem muito para revelar a quem se dispõe a parar e ver.

domingo, 26 de junho de 2011

Celebrando Litha

Litha (21 de junho para quem roda pelo norte e 21 de dezembro para quem roda pelo sul) é certamente um sabath de imensa luz,pois marca o auge do poder do sol,do Deus Carvalho,celebrado no maior dia do ano,o solstício de verão. Nele celebra-se o auge da juventude da Deusa e do Deus.

Shakespeare,inclusive,usou a temática de Litha em "Sonhos de uma noite de verão".

Na minha cidade natal a festa de São João é ceramente uma das mais esperadas do ano,sendo este o padroeiro do município tri-centenário.Gosto de observar os costumes mais antigos da festa e é clara sua origem,as bandeiras coloridas,fogueira e a dança descendem diretamente do festival de Litha. É um ótimo período para rituais que envolvam prosperidade,sucesso e dinheiro,e essa energia forte do Sol deve ser alegremente recebida e louvada,para que seja transmitida a tudo que toquemos. Pra mim,como bruxa,é um período muito forte,tudo corre depressa e vigorosamente e tento tirar o máximo proveito disto,investindo ainda mais nos planos pendentes. No dia 21 celebrei à minha maneira,porém hoje é que ritualizei com meu grupo de costume. Matar a saudade dos abraços calorosos (tanto quanto o sol) dos amigos da Arte e sentir forte a energia do ritual renovaram minhas energias.Baterias recarregadas e a todo vapor! Desejo a você (celebre Litha ou Yule) toda luz que recebi do Deus,e que a segunda metade do ano sempre tenha algo desta luz,mesmo que sejam épocas difíceis. Abra os braços pro sol e receba alegremente seu calor.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Meus oráculos.

Digo 'meus' porque não vou mostrar um artigo de pesquisa sobre as origens ou formas dos oráculos,mas da minha visão sobre eles.
Um oráculo,basicamente,é um objeto utilizado para obter conselhos,respostas ou inspiração do Alto,ou uma pessoa capaz de estabelecer esta comunicação com os seres supremos.
Eu,que não tenho um pingo de clarividência (graças a Deus),uso alguns artifícios,como baralhos,pêndulo,pedras,livro do destino...
Antes de escrever este post,fui consultar os principais focos para saber de sua opinião. Sim,pedi "permissão" para falar deles,o meu livro do destino foi o mais expressivo,aliás,deixe-me falar um pouquinho dele....o encontrei numa livraria comum,entre livros de maçonaria,fiquei em dúvida entre ele e o livro "Maria Madalena,a face feminina de Deus".Nos primeiros mêses me arrependi,não nos dávamos bem.As vezes ele me respondia,as vezes me ignorava,nunca o consagrei e nem pretendo,não sinto necessidade.Com o tempo nossa relação foi melhorando.Ele realmente tem uma personalidade,e parece meio insano dizer isso de um livro,mas é a verdade.Quando eu cogitei dar ele a outra pessoa,ele foi claro dizendo: "O planeta Jupter está em transformação e ORDENA que vc esqueça isto." Dei risadas disso.Ele nem sempre é direto,mas sempre dá um bom conselho. Então,quando eu o perguntei hoje se podia escrever sobre ele,a resposta foi: Fuja disto como o diabo da cruz. Ah,frustração! Dialoguei com ele,e sim,expliquei como seria abordagem e ele concordou. "Você deve ser branda."
Esta relação de amizade com um oráculo,por mais maluca que possa parecer,é extremamente importante. Cada instrumento é único para cada bruxa. E alguns não funcionarão com certas pessoas,eu por exemplo não me saio bem com oráculos que envolvem água,como as bacias,fogo,como nas velas e brasa,nem espelhos. Alguns outros,como ossos e búzios nunca me atraíram.
Além do livro,tenho três baralhos,usados em diferentes situações,sobre dois deles eu não gostaria de falar,o terceiro é um baralho de flores,lindo e com uma energia meiga que me lembra um conselho de avó. O comprei na compania de um grande amigo,Dragony,que gentilmente pagou minha passagem de ônibus já que eu gastara todo o dinheiro com as cartas. "É a sua cara",foi o que ele disse.
Uso o pênculo quase exclusivamente para encontrar coisas (o que é muito frequente já que nunca sei onde está nada) e identificar energias.
As pedras para questões mais físicas e materiais.
Outra coisa importante sobre oráculos é que vc não deve deixar qualquer pessoa (ninguém,de preferencia) manusea-los. Eles captam energia diretamente das mãos,uma energia desconhecida pode afetar o funcionamento e a harmonia. Eu detesto quando alguém toca os meus,especialmente porque eu deixo claro que não gosto disto e a pessoa ignora,mostrando total falta de conhecimento e desrespeito.
Para alguns,a limpeza e a consagração são funcamentais,como o pênculo e as pedras.E geralmente quando o tempo de uso deles já se foi,os próprios demonstram,com cartas e peças que somem rasgam ou quebram. Para o caso do tarô,o tempo máximo aconselhado é de 7 anos de uso,mesmo que ele esteja em bom estado.
Não existe nada que não possa ser perguntado,mas existem perguntas erradas. Como: Fulano me fará feliz? Creio que se o instrumento pudesse falar,ele diria: O que é felicidade pra vc? Então,é melhor algo como: Fulano me fará bem? E há questões cujas respostas não devem ser reveladas.
Qualquer oráculo pode ser fonte de sabedoria e auxiliar imensamente uma bruxa,mas deve-se ter em mente a instabilidade do 'futuro'. O tarô pode lhe dizer uma coisa hoje e outra totalmente diferente amanhã referente à mesma coisa,ou as previsões podem não acontecer,pelo simples fato de vc ter mudado suas atitudes.
Use aqueles que lhe foram afins,crie um elo.Faça dele um amigo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Adolfo Bécquer - XI

Escuta,eu sou ardente e sou morena,
Sou tal e qual o emblema da paixão;
De ânsias de gozos minh'alma é plena.
Não me procuras? _Não te quero;não.
Tenho pálido o rosto e as tranças de ouro;
Posso te oferecer ditas sem fim;
Possuo de ternuras um tesouro.
Não me chamas? _Chamei,mas não a ti.
Eu sou sonho,eu sou um impossível,
Fantasma vão feito de névoa e luz;
Tanto incorpórea sou como inatingível;
Não poderei amar-te. _Oh!Vem;vem tu!

Enquanto o velho vai embora....

SACODE A POEIRA DA TUA SAIA
É,foi-se 2010,e com ele uma leva de coisas.Como diria uma amiga, "mundo de areia que o mar tráz e leva". Bom,meu ano começou a terminar em outubro com Samhain, e algumas coisas foram minguando,definhando,se desmanchando,até morrerem,exatamente como a lua. E eu comecei o novo ano compreendendo muito mais o céu,suas estrelas,planetas,luas,cometas,sois. Quando comecei a pensar no que fazer para ter um bom ano a primeira coisa que me veio à cabeça foi uma lembrança, no centro de umbanda que um dia frequentei o mentor sempre cantava quando os pretos velhos estavam indo embora "enquanto o velho vai embora,sacode a poeira da tua saia",mas pela primeira vez parei pra refletir sobre o cantico. Esse sacodir a poeira é deixar que as coisas partam e limpar-se,preparar-se para o que há de vir. Eu sacodi a poeira e estou leve para trilhar 2011.

sábado, 9 de outubro de 2010

Manual Para Subir Montanhas

A) Escolha a montanha que deseja subir: não se deixe levar pelos comentários de outros, dizendo "aquela é ais bonita", ou "esta é mais fácil". Você irá gastar muita energia e muito entusiasmo para atingir o seu objetivo e, portanto, deve ser o único responsável pela escolha e ter certeza do que está fazendo.
B) Saiba como chegar diante dela: muitas vezes, a montanha é vista de longe - bela,interessante,cheia de desafios. Mas, quando tentamos nos aproximar, o que acontece? As estradas a circundam, existem florestas entre você e seu objetivo, o que aparece claro no mapa é difícil na vida real. Portanto, tente todos os caminhos, as trilhas, até que um dia você estará em frente ao topo que pretende atingir.
C) Aprenda com quem já caminhou por alí: por mais que você se julgue único, sempre alguém teve o mesmo sonho antes, e terminou deixando marcas que podem facilitar a caminhada; lugares onde colocar a corda, picadas, galhos quebrados para facilitar a marcha. A caminhada é sua, a responsabilidade também, mas não se esqueça que a experiência alheia ajuda muito.
D) Os perigos, vistos de perto, são controláveis: quando você começa a subir a montanha dos seus sonhos, preste atenção ao redor. Há despenhadeiros, claro. Há fendas quase imperceptíveis. Há pedras tão polidas pelas tempestades, que se tornam escorregadias como gelo. Mas, se você souber onde está colocando o pé, irá notar as armadilhas, e saberá contorná-las.
E) A paisagem muda, portanto, aproveite: claro que é preciso ter um objetivo em mente - chegar ao alto. Mas à medida que você vai subindo, mais coisas podem ser vistas, e não custa nada parar de vez em quando e desfrutar um pouco o panorama ao redor. A cada metro conquistado, você pode ver um pouco mais longe, e aproveite isso para descobrir coisas que ainda não tinha percebido.
F) Respeite seu corpo: só consegue subir uma montanha quem dá ao corpo a atenção que ele merece. Você tem todo o tempo que a vida lhe dá, portanto caminhe sem exigir o que não pode ser dado. Se andar depressa demais, irá ficar cansado e desistir no meio. Se andar muito devagar, a noite pode descer e você estará perdido. Aproveite a paisagem, desfrute a água fresca dos mananciais e das frutas que a natureza generosamente lhe dá, mas continue andando.
G) Respeite sua alma: não fique repetindo o tempo todo "eu vou conseguir". Sua alma já sabe disso, o que ela precisa é usar a longa caminhada para crescer, estender-se pelo horizonte, atingir o céu. Uma obsessão não ajuda em nada a busca do seu objetivo, e termina por tirar o prazer da escalada. Mas atenção: tampouco fique repetindo "é mais difícil do que eu pensava", porque isso o fará perder a força interior.
H) Prepare-se para caminhar um quilômetro a mais: o percurso até o topo da montanha é sempre maior do que você está pensando. Não se engane, há de chegar o momento em que o que parecia perto ainda está muito longe. Mas, como você se dispôs a ir além, isso não chega a ser um problema.
I) Alegre-se quando chegar ao cume: chore, bata palmas, grite aos quatro cantos que você conseguiu, deixe que o vento lá em cima (porque lá em cima está sempre ventando) purifique sua mente, refresque seus pés suados e cansados, abra os olhos, limpe a poeira do seu coração. Que bom, o que era apenas um sonho, uma visão distante, agora é parte da sua vida, você conseguiu.
J) Faça uma promessa: aproveite que você descobriu uma força que nem sequer conhecia, e diga para sí mesmo que a partir de agora irá usa-la pelo resto de seus dias. De preferência, prometa também descobrir outra montanha, e partir para uma nova aventura.
L) Conte sua história: sim, conte sua história. Dê seu exemplo. Diga a todos que é possível, e outras pessoas então sentirão coragem para enfrentar suas próprias montanhas.
Extraído de: "Ser como o rio que flui"-Paulo Coelho.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sacrifícios

Quando uma tribo Celta chegava à conclusão de que havia ocorrido um desagrado dos Deuses faziam algum sacrifício humano para acalma-los. As vezes o escolhido para tal honra era o jovem mais forte,bonito e saudável,e nem mesmo havia conhecido uma mulher. Mas não poderia ser obrigado.
O escolhido estava longe de ser considerado uma vítima,era um herói,porque isso o tinha sido ensinado desde pequeno. Quando chegava a Lua cheia,se vestia com suas melhores roupas;calças de festa,túnica curta,botas e um casaco comprido,além de uma espada dada por seu pai.
As pessoas assistiam seu caminho com o mais respeitoso silêncio.Em seguida todos caminhavam para o local do sacrifício. Se embrenhavam no bosque até chegar ao local onde ardia a fogueira que os druidas haviam acendido junto ao círculo de estacas. Sobre estas estavam as cabeças de outros heróis do passado,algumas simples crânios devido ao muito tempo desde sua morte.
O rapaz parava em frente ao drúida,que lhe entregava um prato com sua ultima refeição,bolos de trigo e cevada e um cálice de vinho não fermentado. Então,depois de limpar os lábios com um pano,começava a despir-se,mantendo apenas o torque.
Continuava esperando em pé,ansioso. Um drúida se aproximava por trás e aplicava um forte golpe de espada em sua nuca,a mesma espada que seu pai havia lhe dado quando se vestia. esta é a primeira morte do herói.A segunda ocorria quando o drúida passava uma corda em volta do pescoço do corpo e o estrangulava com violência,apesar de saber que já estava sem vida.E a terceira,final, ocorria quando lhe cortava a cabeça com uma faca sagrada.
Sem lágrimas nem arrependimentos,todos voltavam para a aldeia,onde esperavam que os Deuses voltassem a protege-los.
Esta não era a única modalidade de sacrifício dos Celtas,dependia de a que deus ele era oferecido,alguns eram inofencivos,outros realmente cruéis.
Andromeda (mitologia grega) era filha de Cepeu e Cassiopeia,rei e rainha do reino finício da Etiópia.
Sua mãe um dia disse que ela era mais bonita que as Nereidas,ninfas filhas de Nereu,que geralmente é visto acompanhando Poseidon. Para punir a rainha por sua arrogancia,Poseidon enviou um monstro marinho,Cetus, para atacar o reino da rainha vaidosa. O rei, desesperado,consultou Ammon,o oráculo de Zeus,que anunciou que não haveria paz enquanto o rei não sacrificasse sua filha Andromeda para o monstro. O rei não teve outra escolha a não ser seguir o conselho,e Andromeda foi acorrentada a um rochedo,para que fosse devorada.
Perseu,retornando após ter assassinado a Medusa,encontra Andromeda e mata o monstro Cetus. Libertou-a e casou-se com ela,apesar de Andromeda ter sido prometida anteriormente a Phineus.No casamento ocorreu uma desavença entre os rivais,e Phineus foi transformado em pedra por ter visto a cabeça da Medusa.
Andromeda seguiu o marido para Tirinto,em Argos,e juntos eles se tornaram os ancestrais da família Perseida.
- Esta imagem do sacrifício, estruturada por hábitos e crenças de culturas antigas,apesar de manterem o princípio da entrega,é incompatível com os pilares mais puros da Bruxaria,que visa o culto à Natureza e o respeito a todas as formas de vida.
Sacrifício significa "tornar algo sagrado",porém tanto sangue foi derramado em vão,em nome do sagrado,que a palavra esvaziou-se do seu sentido original.
Sacrificar-se é doar-se,no melhor que se pode ser por um bem maior, com plena consciencia de que este é um ato de amor. Uma entrega da vida,não atravéz a morte,mas do esforço e dedicação durante a vida em função do que se visa. Esta doação,pela sua carga afetiva e sincera por sua vez só tende a atrair as mesmas energias de bondade e compaixão,o que faz com que as coisas tomem o melhor rumo. A partir do momento em que algo é tornado sagrado,assume-se o compromisso de torna-lo um instrumento dos Deuses para que apenas boas coisas provenham dele.
Os exemplos dos Heróis Celtas e Andromeda,ao disporem de suas vidas por suas nações devem servir para mostrar que toda entrega deve ser pura e consciente, livre de remorços e motivos mesquinhos.
A própria razão justa pela qual se luta já é a maior das recompensas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Na cozinha,no frio.....

Durante a minha estadia no Rio Grande do Sul,com todo aquele frio (insuportáveis -2° numa manhã) duas coisas cairam como luvas.Uma foi o contato frequente com os amigos,as reuniões aqueciam o coração,outra foi meu caldo de abóbora,que aquecia o estômago! O primeiro contato não foi nada bom,assim que a palavra abóbora era dita pulavam caretas e olhares tortos e a frase "abóbora?credo!!!",mas bastou o cheiro para despertar a curiosidade do paladar,e depois o "Hm...que delícia!".
Cozinhar também é uma arte,uma alquimia,e algo muito relaxante. Então,vamos aproveitar o frio para abusar das comidas quentes,e vá por mim,abóbora é uma ótima pedida.
A receita é simples.....
Ingredientes:
1kg de abóbora moranga bem madura
1 peito de frango
3 a 4 cubos de caldo de galinha
1 molho de cebolinha
1 molho de salsa
Preparo:
-Cozinhe a abóbora em cubos até que fique bem macia e reserve.
-Cozinhe o peito de frango e desfie em tamanho médio a fino.
-Pique a celobinha e a salsa
-Bata a abóbora cozida no liquidificador,se ficar muito grosso,coloque um pouco da própria água do cozimento.
-Numa panela,coloque a abóbora batida e os cubos de tempero,mexendo sempre,prove,caso necessário coloque mais um cubo.
-Coloque o frango desfiado ainda com o fogo aceso,continue mexendo para homogenizar
-Coloque a cebolinha e a salsa e retire do fogo.
É só isso!Fácil,não?!
Uma dica,coloque pimenta calabresa,sem medo,para dar um toque especial.
Bom apetite!